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Pressão para reduzir estoques? Confira 5 sinais de alerta!

  • 14/07/2025
  • Estoques

O estoque virou alvo… de novo! 

Com a taxa SELIC em alta, o custo de capital dispara. Isso significa que manter estoque parado custa caro, e agora, custa ainda mais. 

É por isso que, em muitas empresas, o setor financeiro passou a pressionar diretamente o time de planejamento: precisamos reduzir estoques. 

Mas quem vive o dia a dia de Supply Chain sabe que reduzir sem critério é um risco enorme. O corte mal planejado leva à ruptura, queda no nível de serviço e aumento da instabilidade nas operações. 

A boa notícia é que existe uma forma estruturada de lidar com essa pressão: a Gestão Tática de Estoques. 

O que é Gestão Tática de Estoques?

A Gestão Tática de Estoques é o processo que conecta as decisões estratégicas da empresa com a execução operacional do dia a dia.  

Sua função central é garantir o equilíbrio entre custos de falta, nível de serviço e custos do excesso, com base em diretrizes claras e revisões estruturadas. 

Ela vai muito além do simples controle de estoque: trata-se de um processo recorrente que envolve monitoramento contínuo, revisão de parâmetros e análise de indicadores para tomada de decisão mais inteligente e eficiente. 

Na prática, isso se traduz em três grandes frentes: 

1. Monitoramento do Estoque 

– Acompanhamento da aderência dos SKUs à política definida; 

– Análise de causa raiz de rupturas e excessos; 

– Criação, execução e acompanhamento de planos de ação corretivos. 

2. Revisão da Política 

– Atualização de parâmetros operacionais (como estoque de segurança e ponto de ressuprimento); 

– Discussão e atualização das metas de nível de serviço; 

– Revisão cíclica da política por SKU ou ponto de estoque. 

3. Indicadores que sustentam as decisões 

– Custos de Falta e de Excesso; 

– Ruptura, OTIF e Backlog; 

– Oportunidades de melhoria visíveis pela ocupação dos armazéns e giro dos estoques. 

Além disso, é importante diferenciar essa abordagem da gestão puramente operacional.  

A gestão tática está no meio do caminho entre o estratégico e o operacional: ela define políticas, projeta os estoques de médio prazo e antecipa restrições futuras, enquanto o operacional executa as tarefas do dia a dia, como contagens, separações e movimentações logísticas. 

Essa separação é essencial para garantir que as decisões sejam tomadas com base em dados confiáveis, olhando para o que importa e ajustando a rota sempre que necessário. 

Com esse processo bem implementado, o estoque deixa de ser um “vilão financeiro” e passa a ser tratado como o que ele realmente é: uma alavanca estratégica para equilibrar custo, nível de serviço e estabilidade operacional. 

E o que é uma Política de Estoques? 

Em geral, uma Política de Estoques é basicamente a resposta da empresa para três perguntas simples: 

  1. Quando eu peço? 
  1. Quanto eu peço? 
  1. Quanto devo manter em estoque de segurança? 

A política considera fatores como o tamanho do estoque da empresa, os tipos de produtos que ela vende, a frequência das vendas e os tempos de pedido e transporte. 

Com isso, ela estabelece diretrizes para pedidos de reabastecimento de itens, determinando níveis apropriados de estoque de segurança e monitorando os níveis de estoque para evitar escassez ou excesso de estoque. 

O custo que todo estoque precisa equilibrar

Uma Política de Estoques bem estruturada permite equilibrar disponibilidade e custo, evitando excessos que geram despesas com armazenagem, obsolescência e capital parado. 

O objetivo é garantir que a empresa tenha o necessário para atender à demanda do cliente, sem sobrecarregar o caixa ou assumir riscos desnecessários com produtos parados ou perecíveis. 

Com diretrizes claras sobre quanto manter, é possível otimizar níveis de estoque, reduzir desperdícios, melhorar a eficiência e aumentar a satisfação do cliente. 

Como implementar uma Política de Estoques?

1 – Definir os objetivos 

Comece definindo a finalidade da Política de Estoque e quais objetivos ela deve alcançar. Considere fatores como a satisfação do cliente, controle de custos, capital disponível e gerenciamento de riscos. 

2 – Determinar o escopo 

Decida que itens a política deve se aplicar, tais como matérias-primas, produtos acabados e suprimentos. Também pense em quais pontos de estoque serão considerados. 

3 – Avaliar as práticas atuais 

Avalie suas práticas atuais de gerenciamento de estoques para identificar áreas a serem melhoradas. 

Busque conversar com quem toca o dia a dia do reabastecimento, como os responsáveis por PCP, MRP e DRP. 

Isso serve para trazer conhecimento qualitativo das restrições da operação. 

4 – Entender o comportamento real do estoque e da demanda 

Analise seu histórico de pelo menos 12 meses do comportamento diário dos estoques e da demanda. 

Busque entender particularmente os picos de excesso e as faltas, bem como suas causas-raíz. 

Isso garante um conhecimento quantitativo mais profundo de como a operação funciona na prática antes de desenhar uma política nova. 

5 – Desenhar a política 

Com o diagnóstico do que já existe feito, é hora de desenhar a nova política. Comece estabelecendo os tipos de política que melhor se adaptam (puxadas, empurradas etc.) e use a teoria para calcular os parâmetros. 

6 – Testar a política 

Antes de começar a implantação, é importante modelar sua operação e simular como a nova política teria alterado seus principais indicadores de estoques, como faltas e capital empregado. 

7 – Imaginar novos cenários 

Sua política está sendo desenhada para o cenário atual da operação, mas isso não quer dizer que este é o cenário que melhor equilibra seus estoques com outros aspectos da operação, como eficiência de produção e de logística. 

Por isso, é importante fazer testes adicionais, que chamamos de Análises de Sensibilidade, para entender como a política se comportaria caso a operação mudasse. 

8 – Implementar a política 

Uma vez que a política tenha sido desenvolvida, você deve implementá-la e treinar os funcionários nos novos procedimentos. 

9 – Monitorar, atualizar e revisar regularmente 

Revise e atualize regularmente a Política de Estoque para garantir que ela permaneça relevante e eficaz. 

Seguindo estas etapas, você pode criar uma Política de Estoque abrangente que ajude a gerenciar seus níveis de estoque de forma eficaz e alcançar seus objetivos de nível de serviço. 

Por que esse processo é tão difícil de implementar?

Na teoria, tudo parece claro. Mas na prática, muitas empresas esbarram em cinco grandes desafios que travam a implantação de uma política de estoques eficiente. 

1. Falta de uma estratégia clara de atendimento 

A maioria das empresas ainda trata todos os produtos da mesma forma.  

O primeiro passo da Gestão Tática é definir a estratégia de serviço por SKU ou por grupo de produtos. 

Nem tudo precisa estar sempre disponível, e nem todo atraso representa um prejuízo crítico, então as perguntas que você precisa se fazer são essas:  

  • Quais itens são inegociáveis? 
  • Quais podem ter uma cobertura menor? 
  • Quais são estratégicos por canal, cliente ou janela de vendas? 
  • Quais produtos podem faltar? 

Essa segmentação pode ser feita com base na curva ABC, valor agregado, giro histórico ou criticidade de aplicação. O importante é que ela exista e seja aplicada com consistência. 

2. Dificuldade para justificar o capital necessário 

Em momentos de alta dos juros, é natural que o financeiro esteja mais sensível a qualquer aumento no capital de giro. E justificar mais dinheiro para manter estoque pode parecer um contrassenso. 

Mas nem todo estoque é excesso. Em muitos casos, manter um volume maior de um item estratégico significa evitar rupturas, reduzir urgências e até otimizar custos logísticos. 

O segredo está em comunicar isso com clareza. Mostrar com dados que o capital alocado em determinados produtos é um investimento, e não um desperdício. 

3. Falta de alinhamento entre áreas 

As melhores políticas de estoque são construídas com base em premissas compartilhadas. Isso inclui: 

  • Tamanhos mínimos de lote; 
  • Frequência de ressuprimento; 
  • Capacidade de armazenagem; 
  • Limites operacionais reais. 

O problema é que, muitas vezes, essas informações estão desatualizadas, mal documentadas ou simplesmente não refletem a realidade da operação. 

Sem esse alinhamento, qualquer modelo técnico pode falhar, por mais sofisticado que pareça. 

4. Baixa qualidade dos dados históricos 

Para definir uma política de estoque bem calibrada, é preciso partir de uma análise realista da situação atual. Isso inclui: 

  • Saldos diários de estoque; 
  • Histórico de abastecimentos; 
  • Eventos de ruptura (mesmo os não registrados); 
  • Lead times reais (não apenas os cadastrados). 

O problema é que muitas dessas informações não são capturadas com a devida frequência e, quando são, nem sempre estão organizadas de forma útil para tomada de decisão. 

Se o diagnóstico parte de uma base inconsistente, a política desenhada estará, desde o início, comprometida. 

5. Dificuldade de mostrar os ganhos do projeto 

Talvez esse seja o desafio mais invisível e um dos mais importantes. 

Uma boa política de estoques não aparece na linha de receita do orçamento. Ela reduz perdas futuras, melhora o giro, diminui o capital empatado e evita custos com urgências. 

Ou seja, seus resultados são ganhos de oportunidade. 

E esse tipo de ganho é mais difícil de defender em uma apresentação para a diretoria do que, por exemplo, a redução de um custo logístico ou um novo contrato negociado. 

Medimos o quanto deixamos de perder em vendas por faltas. Mostramos o quanto deixamos de gastar de custo de capital por ter menos estoque. 

Por isso, parte fundamental do sucesso está em traduzir o impacto da política em números tangíveis e contar essa história com clareza e foco em valor. 

O papel da previsão de demanda nessa equação 

Toda política de estoque parte de uma base de consumo ou previsão. E se essa base estiver mal calibrada, o efeito será direto no nível de cobertura. 

É por isso que indicadores como Forecast Accuracy e Bias são fundamentais para sustentar uma gestão de estoques inteligente. 

O Forecast Accuracy mostra o quanto sua previsão acerta e o Bias revela se seu plano tem tendência a ser otimista ou pessimista. 

Sem acompanhar esses dois indicadores, a empresa pode cair na armadilha de tomar decisões com base em previsões distorcidas, e não perceber. 

Inclusive, para saber como sua empresa se compara com o mercado em Forecast Accuracy, baixe agora nosso relatório inédito de Benchmarking de Forecast Accuracy de 2025 abaixo:

Os resultados são reais e mensuráveis 

Com método, governança e tecnologia, a Gestão Tática de Estoques deixa de ser um desejo e se torna uma prática com impacto real. 

A Plannera já acompanhou reduções entre 5% e 40% nos estoques totais, e quedas de até 40% nas perdas de venda por ruptura, sempre com base em políticas realistas, dados consistentes e decisões sustentadas em fatos, não em suposições. 

Se o cenário mudou, sua política de estoques também precisa mudar 

A SELIC está alta.  

A pressão sobre o capital de giro aumentou. O custo de errar subiu. 

Agora, mais do que nunca, é hora de olhar para os estoques com método, estratégia e responsabilidade. 

E se esse for o seu próximo passo, podemos caminhar juntos. 

Autor

  • Gabriela Peres

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